Era inteiro dela. Até seus cromossomos pediam e esperavam por ela. Sabiam do cheiro, sabiam do beijo, sabiam que era alguma coisa além – muito além do arroz com feijão, desses amores cotidianos e amenos.
E a menos que fossem dois loucos, não se pertenceriam. A menos que fossem covardes, não jogariam pela janela aquele banquete de emoções experimentadas em cada sussurro, em cada sorriso disfarçado fazendo névoa, fazendo cócegas no ar.
Então, deixaram-se inundar de um amor que mataria os anêmicos. Que era preciso sangue quando se falta o fôlego. Era preciso hemoglobina e alma demais para querer-se tanto.
Mas, era aquela uma certeza profana. Porque, inundados de si, afogariam um outro. Alguém que boiava, perto demais dos dois. Boiando, mais indecente que inocente. Alguém que sobrevivia dos restos e dos rastros daquele amor.
E era mesmo uma tragédia, serem três onde só cabiam dois.
Ímpar.
_______________________________________________________________________
PS: Nesse caso, pior que três, só se ainda fossem quatro. Ainda bem que não. Não agora e não mais.
PS2: Pior que é um mulherão. Suficiente pra desempatar qualquer jogo e com larga vantagem. Mas às vezes, a gente se acostuma a comer só a sobremesa, achando mesmo que é o melhor da festa. E só depois sente falta do sal. Só depois percebe que queria mesmo era roer o osso, se lambuzar de purê, arroz e feijão.
Amiga, se não rolar, troca de restaurante. Um onde você possa comer tudo o que quiser. Mais saudável, mais forte, mais você.
Eu, que durante anos também me deliciei com a sobremesa, hoje me sinto uma fera alimentada à base de mocotó! Rsrsrsrs. Como é bom ser PAR. Ser paz.
Beijo enorme (o de sempre).
Dona Cafuza
Nada aqui tem a pretensão de fazer sentido. Nem mesmo temporal. É um espaço dedicado ao haver. Ao exagero. Às emoções. Vivas ou mortas.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Aos porcos
Perdoem-me a indiferença. É que ser feliz tem tomado todo o meu fôlego e já não tenho tempo de preparar a lavagem. Sei que não imaginam, mas fazer bem o bem dá mais trabalho que fazer o mal... esse, que vocês ensaiam e repetem tão mal.
Mas que se há de esperar, se tudo o que fazem é assim típico? Se porcamente vivem, caminham, decidem. Sem sequer lamentar a condição. A ignorância é a benção que sustenta a pseudo-existência do grupo.
Daqui do alto não os ouço, não os vejo. Mas sei exatamente onde estão. É que o cheiro - o que possuem de mais forte - vai sinalizando a direção. Por vezes, distraída, cheguei perto. Perigosamente perto. Capaz de sofrer um respingo de lama sujando as flores do meu vestido e da minha alma. Mas ainda sou mais rápida que vocês. Além das patas, tenho os braços, o cérebro e o coração.
Meu sistema nervoso é calmo. Não choro jurando mentiras, não confio desconfiando, não coleciono ex-futuros-amigos, não desperdiço nem sorrisos nem lágrimas.
Minhas santas têm piedade de todos. Até aos porcos derramam sua infinita piedade. Eu, nem santa nem puta, tenho dó não. Tenho é mais o que fazer.
Muito mais.
____________________________________________________________
PS1: Ocupadíssima com a vida boa, a brisa soprando felicidade... Mas, quanto mais longe dos porcos, mais barulho eles fazem. Mas longe tentam lançar a lama. Se não fedessem tanto, viveríamos bem.
De longe... e bem.
PS2: Pra quem se pergunta onde é que estão as cafuzices do Preto, explico: tenho pouco pra contar e muito pra sentir. Tô reorganizando meus sentidos, quase avessa à grafia, que com ele experimento o gosto... o gosto das palavras. Quase todas impublicáveis! rsrsrsrsrs
PS3: Saudade danada daquele povo especial: Leandro Henrique, Fábio Roberto, Marilinda e famílinda, Jairo, Rosana, Márcia, enfim... todos, todos.
Mas que se há de esperar, se tudo o que fazem é assim típico? Se porcamente vivem, caminham, decidem. Sem sequer lamentar a condição. A ignorância é a benção que sustenta a pseudo-existência do grupo.
Daqui do alto não os ouço, não os vejo. Mas sei exatamente onde estão. É que o cheiro - o que possuem de mais forte - vai sinalizando a direção. Por vezes, distraída, cheguei perto. Perigosamente perto. Capaz de sofrer um respingo de lama sujando as flores do meu vestido e da minha alma. Mas ainda sou mais rápida que vocês. Além das patas, tenho os braços, o cérebro e o coração.
Meu sistema nervoso é calmo. Não choro jurando mentiras, não confio desconfiando, não coleciono ex-futuros-amigos, não desperdiço nem sorrisos nem lágrimas.
Minhas santas têm piedade de todos. Até aos porcos derramam sua infinita piedade. Eu, nem santa nem puta, tenho dó não. Tenho é mais o que fazer.
Muito mais.
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PS1: Ocupadíssima com a vida boa, a brisa soprando felicidade... Mas, quanto mais longe dos porcos, mais barulho eles fazem. Mas longe tentam lançar a lama. Se não fedessem tanto, viveríamos bem.
De longe... e bem.
PS2: Pra quem se pergunta onde é que estão as cafuzices do Preto, explico: tenho pouco pra contar e muito pra sentir. Tô reorganizando meus sentidos, quase avessa à grafia, que com ele experimento o gosto... o gosto das palavras. Quase todas impublicáveis! rsrsrsrsrs
PS3: Saudade danada daquele povo especial: Leandro Henrique, Fábio Roberto, Marilinda e famílinda, Jairo, Rosana, Márcia, enfim... todos, todos.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Sem açúcar
Durante alguns dias, ela esperou que ele voltasse. Desculpando-se pelo descuido e devolvendo-lhe todos os beijos, todos os sins.
Tinha ainda aquela certeza de que faltavam-lhes algumas páginas. Sozinha tudo o que ameaçasse rascunhar seria triste. Seria mudo. Um luto de emoções e pontos de interrogação ecoando no escuro.
Sem os pingos, os Is cambaleavam bêbados ao som de Piaf, deprimindo até as mais convictas exclamações.
Sentir falta dele era a mais medonha de todas as culpas que experimentara. Os dias em preto e branco. A vida indo e vindo, sem açúcar. Sem explicações.
________________________________________________________
PS: Estava quietinha, debruçada sobre meus silêncios. Daí, tarde da noite recebi uma mensagem. Tarde da vida. Mas esse texto é em homenagem a outra mensagem. A que não recebi ainda e talvez nunca mais. Mas, se é nunca, como é que pode ser “mais”?
PS2: Dona Bruna, essa é mais uma das Cafuzices que é tão minha quanto sua. Meu presente pra vc, que é tão presente. Privilégio meu tê-la por perto, tão dentro, tão sensível aos arranhões da minha pele e do meu coração. Um brinde à cura, sua missão... meu privilégio.
PS3: Outubro totalmente sem açúcar, mas tô abusando do mel. Novembro de dias doces (e foram só dois)... rsrsrsrs
Tinha ainda aquela certeza de que faltavam-lhes algumas páginas. Sozinha tudo o que ameaçasse rascunhar seria triste. Seria mudo. Um luto de emoções e pontos de interrogação ecoando no escuro.
Sem os pingos, os Is cambaleavam bêbados ao som de Piaf, deprimindo até as mais convictas exclamações.
Sentir falta dele era a mais medonha de todas as culpas que experimentara. Os dias em preto e branco. A vida indo e vindo, sem açúcar. Sem explicações.
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PS: Estava quietinha, debruçada sobre meus silêncios. Daí, tarde da noite recebi uma mensagem. Tarde da vida. Mas esse texto é em homenagem a outra mensagem. A que não recebi ainda e talvez nunca mais. Mas, se é nunca, como é que pode ser “mais”?
PS2: Dona Bruna, essa é mais uma das Cafuzices que é tão minha quanto sua. Meu presente pra vc, que é tão presente. Privilégio meu tê-la por perto, tão dentro, tão sensível aos arranhões da minha pele e do meu coração. Um brinde à cura, sua missão... meu privilégio.
PS3: Outubro totalmente sem açúcar, mas tô abusando do mel. Novembro de dias doces (e foram só dois)... rsrsrsrs
domingo, 2 de outubro de 2011
Tâmara seca
Naquela manhã, acordar foi como nascer sem pai ou mãe. Um susto. Foi como se, pela primeira vez seus quarenta e poucos anos fossem tão explícitos.
A vida tinha cheiro de café. Os filhos adolesciam insuportavelmente. Às vezes, já não lhe desejavam nem bom dia. O marido se quer lhe desejava. Entreolhavam-se através das frestas, portas semi-abertas, cortinas e memórias sutis. Como se houvesse um pacto de cordialidade morna. Um pacto de paz. Ocorreu-lhe que aquela paz nada tinha a ver com a paixão louca que arrebatara o casal vinte anos antes. Percebeu que agora o amava como a um filho... adolescente, também. Oferecia-lhe aquele perdão que só as mães são capazes e era esse o segredo que sustentava o casamento – especialmente nos dias em que a pedra era só uma pedra. Aqueles dias sem romance, sem poesia, nenhuma pequena tragédia familiar que exigisse dela a capa de super-matriarca a salvar o mundo.
Andou pela casa feito uma estranha. Feito um fantasma de si mesma. Reconhecendo em cada canto que nada ali precisava dela. Nada dependia dela para “ser”. A reforma acabara, o sonho construído... todos os detalhes arranjados com cuidado. Do jardim observou a fachada. A casa era grande, bonita. De uma harmonia que agora sufocava. Por um momento, duvidou que cruzaria novamente aquela porta. Duvidou que fizesse parte daquela felicidade mórbida.
Precisava entender. Precisava novamente caber em si ou explodir de vez... não suportaria represar aquelas inquietações nem mais um segundo.
Na garagem, o carro do marido com os vidros mais abertos que fechados pareciam-lhe sorrir. Um convite, um plano de fuga. Plano B. Mas faltava-lhe um roteiro. Faltava-lhe o ar.
Decidiu ir. À quitanda, à padaria, qualquer lugar. Mas, o que compraria se naquela casa nada faltava? Desesperadamente, nada faltava. Frutas, botões, antissépticos... tudo havia ali.
Tirou a chave do contato, com medo que o som do motor lhe desse alguma direção. Alguma irreversível. No retrovisor, sua vida. Aquele rosto pálido, cansado, sem cor. Trêmula, deixou que o controle e as chaves escorressem pelos dedos.
Buscou um resto de coordenação para alcançar a chave, embaixo do banco. Primeiro encontrou um celular – reconheceu que era do marido (aquele que ela já não reconhecia). Tateou mais alguns centímetros e no mesmo cantinho encontrou o chaveiro e... um batom.
Batom gasto, cor de tâmara. Marrom-avermelhado e levemente cintilante. Pensou em mordê-lo. Pensou em guardá-lo, ou deixá-lo cair novamente embaixo do banco. Mas era tarde para esquecê-lo.
No celular do marido, passeou pela agenda, pelos arquivos, mas não havia mensagens e até o histórico de ligações o danado havia apagado.
E ela, que é que faria do batom e da sua vida? Principalmente, que é que NÃO faria?
Resolveu ir além. Tentaria todos os nomes e todos os números desconhecidos daquela agenda, até que alguma coisa fizesse sentido. No mundo.
Em ordem alfabética, foi descartando algumas conhecidas... a tia, a amiga de infância, a secretária que intermediava alguns eventos importantes, a professora do filho. Mas ali mesmo, na letra “A”, um nome lhe chamou a atenção. Repetiu-o três vezes olhando fixamente o movimento que os lábios nervosos refletiam naquele retrovisor.
Não teria coragem de ligar para a fulana – senhorita “A”. Então, enviou-lhe uma mensagem. Que mal haveria de ter? A fulana pensaria mesmo que era seu marido:
“Oi. Perdeu um batom? Cor de tâmara. Achei no meu carro.”
Ao que Dona “A”, respondeu quase que instantaneamente: “Ainda bem que foi você que encontrou”.
Que espécie de resposta era aquela? Que direito fulana “A” tinha de ser tão... tão vaga? Era um desrespeito àquela angústia e por isso, insistiu:
“... é seu ou não?”
“Sim. Meu! Você e o batom”.
Devolveu o celular embaixo do banco. Largou a chave no contato. Antes que pudesse chorar, preencheu os lábios com uma forte camada daquele batom. Cor de tâmara. Desejou ser inteira uma tâmara suculenta. Cintilante.
Saiu a pé. Sem pressa. No bolso uma lágrima pra derramar depois. No outro, o batom.
_______________________________________________________
PS: É que essa história ficou martelando meus instintos antes mesmo de acontecer. Se é que aconteceu. Ficção ou auto-ficção?
Ah, cafuzice. Cafuzice pura.
A vida tinha cheiro de café. Os filhos adolesciam insuportavelmente. Às vezes, já não lhe desejavam nem bom dia. O marido se quer lhe desejava. Entreolhavam-se através das frestas, portas semi-abertas, cortinas e memórias sutis. Como se houvesse um pacto de cordialidade morna. Um pacto de paz. Ocorreu-lhe que aquela paz nada tinha a ver com a paixão louca que arrebatara o casal vinte anos antes. Percebeu que agora o amava como a um filho... adolescente, também. Oferecia-lhe aquele perdão que só as mães são capazes e era esse o segredo que sustentava o casamento – especialmente nos dias em que a pedra era só uma pedra. Aqueles dias sem romance, sem poesia, nenhuma pequena tragédia familiar que exigisse dela a capa de super-matriarca a salvar o mundo.
Andou pela casa feito uma estranha. Feito um fantasma de si mesma. Reconhecendo em cada canto que nada ali precisava dela. Nada dependia dela para “ser”. A reforma acabara, o sonho construído... todos os detalhes arranjados com cuidado. Do jardim observou a fachada. A casa era grande, bonita. De uma harmonia que agora sufocava. Por um momento, duvidou que cruzaria novamente aquela porta. Duvidou que fizesse parte daquela felicidade mórbida.
Precisava entender. Precisava novamente caber em si ou explodir de vez... não suportaria represar aquelas inquietações nem mais um segundo.
Na garagem, o carro do marido com os vidros mais abertos que fechados pareciam-lhe sorrir. Um convite, um plano de fuga. Plano B. Mas faltava-lhe um roteiro. Faltava-lhe o ar.
Decidiu ir. À quitanda, à padaria, qualquer lugar. Mas, o que compraria se naquela casa nada faltava? Desesperadamente, nada faltava. Frutas, botões, antissépticos... tudo havia ali.
Tirou a chave do contato, com medo que o som do motor lhe desse alguma direção. Alguma irreversível. No retrovisor, sua vida. Aquele rosto pálido, cansado, sem cor. Trêmula, deixou que o controle e as chaves escorressem pelos dedos.
Buscou um resto de coordenação para alcançar a chave, embaixo do banco. Primeiro encontrou um celular – reconheceu que era do marido (aquele que ela já não reconhecia). Tateou mais alguns centímetros e no mesmo cantinho encontrou o chaveiro e... um batom.
Batom gasto, cor de tâmara. Marrom-avermelhado e levemente cintilante. Pensou em mordê-lo. Pensou em guardá-lo, ou deixá-lo cair novamente embaixo do banco. Mas era tarde para esquecê-lo.
No celular do marido, passeou pela agenda, pelos arquivos, mas não havia mensagens e até o histórico de ligações o danado havia apagado.
E ela, que é que faria do batom e da sua vida? Principalmente, que é que NÃO faria?
Resolveu ir além. Tentaria todos os nomes e todos os números desconhecidos daquela agenda, até que alguma coisa fizesse sentido. No mundo.
Em ordem alfabética, foi descartando algumas conhecidas... a tia, a amiga de infância, a secretária que intermediava alguns eventos importantes, a professora do filho. Mas ali mesmo, na letra “A”, um nome lhe chamou a atenção. Repetiu-o três vezes olhando fixamente o movimento que os lábios nervosos refletiam naquele retrovisor.
Não teria coragem de ligar para a fulana – senhorita “A”. Então, enviou-lhe uma mensagem. Que mal haveria de ter? A fulana pensaria mesmo que era seu marido:
“Oi. Perdeu um batom? Cor de tâmara. Achei no meu carro.”
Ao que Dona “A”, respondeu quase que instantaneamente: “Ainda bem que foi você que encontrou”.
Que espécie de resposta era aquela? Que direito fulana “A” tinha de ser tão... tão vaga? Era um desrespeito àquela angústia e por isso, insistiu:
“... é seu ou não?”
“Sim. Meu! Você e o batom”.
Devolveu o celular embaixo do banco. Largou a chave no contato. Antes que pudesse chorar, preencheu os lábios com uma forte camada daquele batom. Cor de tâmara. Desejou ser inteira uma tâmara suculenta. Cintilante.
Saiu a pé. Sem pressa. No bolso uma lágrima pra derramar depois. No outro, o batom.
_______________________________________________________
PS: É que essa história ficou martelando meus instintos antes mesmo de acontecer. Se é que aconteceu. Ficção ou auto-ficção?
Ah, cafuzice. Cafuzice pura.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Samurai da Vila
Quisera ele ter vivido um amor de novela. Manso como um romance vespertino, trágico como se o horário fosse mesmo nobre. Mas, o seu era amor desgraçado, infecundo - e morava em todas as horas. Doía a cada fração de segundo. Embrulhava-lhe o estômago aquele coração entalado, aquela dúvida ingênua roubando-lhe o oxigênio e a lucidez.
Afinal, haveria alguma chance?
E ter esperança era como uma agonia densa que não dorme. Que não come. Esperança órfã, pegajosa, imunda, espalhando-se feito erva daninha na alma.
Prisão perpétua aquele amor. E perpetuá-lo dava-lhe enfim a sensação de uma vida póstuma (sem ELA). Afinal, existe vida após o amor? Sobreviver era o prêmio àquela devoção?
Cego, surdo, fraco – feito doente terminal – seguia os passos da amada. Torturava-se observando-a de longe.
Enquanto ela... ia tranqüila. Linda. Mãos dadas à vida da qual ele não fazia parte.
Manco de amor, escondido atrás de si mesmo, analisava cada traço do rosto da moça, cada sorriso, cada cadência. Esperando que um fio de cabelo fora do lugar denunciasse um sinal. Um vacilo. Um talvez... a recíproca.
Um milagre.
____________________________________________________________
♫... Pedaço de Mim
(Chico Buarque)
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
____________________________________________________________
PS: Lá vai ele (mais uma vez) tentar buscá-la. Como se tivesse culpa, como se faltasse dizer a palavra mágica... alguma que fizesse os olhos dela cederem. E como num surto de clarividência, ela pudesse enfim admitir o amor!
Fã de futebol (e da moça), confessou-me que é uma emoção parecida com a final da Libertadores. Do êxtase absoluto à frustração. Pior... é corinthiano. Que é que não desiste? Que é que tanto sonha com a final da libertadores? Ah, esses amores impossíveis...
Afinal, haveria alguma chance?
E ter esperança era como uma agonia densa que não dorme. Que não come. Esperança órfã, pegajosa, imunda, espalhando-se feito erva daninha na alma.
Prisão perpétua aquele amor. E perpetuá-lo dava-lhe enfim a sensação de uma vida póstuma (sem ELA). Afinal, existe vida após o amor? Sobreviver era o prêmio àquela devoção?
Cego, surdo, fraco – feito doente terminal – seguia os passos da amada. Torturava-se observando-a de longe.
Enquanto ela... ia tranqüila. Linda. Mãos dadas à vida da qual ele não fazia parte.
Manco de amor, escondido atrás de si mesmo, analisava cada traço do rosto da moça, cada sorriso, cada cadência. Esperando que um fio de cabelo fora do lugar denunciasse um sinal. Um vacilo. Um talvez... a recíproca.
Um milagre.
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♫... Pedaço de Mim
(Chico Buarque)
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
____________________________________________________________
PS: Lá vai ele (mais uma vez) tentar buscá-la. Como se tivesse culpa, como se faltasse dizer a palavra mágica... alguma que fizesse os olhos dela cederem. E como num surto de clarividência, ela pudesse enfim admitir o amor!
Fã de futebol (e da moça), confessou-me que é uma emoção parecida com a final da Libertadores. Do êxtase absoluto à frustração. Pior... é corinthiano. Que é que não desiste? Que é que tanto sonha com a final da libertadores? Ah, esses amores impossíveis...
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Pequenez
Não tenho medo de altura, mas uma barata com seus poucos centímetros de ousadia pode fatalmente me desequilibrar. Não tenho medo quando um grande amor se anuncia, mas um beijo despretensioso pode roubar a minha paz.
Adoro os romances com quatrocentas, quinhentas páginas, mas uma frase solta pode desnortear as minhas mais antigas convicções.
Não tenho medo das grandes verdades e são as pequenas mentiras que me apavoram, desprevenida.
E sofro tanto, quando percebo num altruísta aquele vestígio de mesquinhez... aquele egoísmo cego escondido entre as veias de um grande coração.
Ah, são elas. As pequenas. As minúsculas coisas que me preocupam.
Porque é fácil livrar-se de uma mariposa que ameaça pousar nos seus olhos. Mas aquele maldito cisco... é ele que vai nos fazer chorar.
____________________________________________________________________
PS: ... Eu, com essa mania de grandeza, espero sempre que ao me magoar fulano(a) tenha um bom motivo. Um motivo enorme... daqueles dignos de sacrifícios e perdão.
Porém, se por trás do olhar dissimulado houver apenas um pequeno interesse, um desejozinho instantâneo, uma vaidadezinha bem pobre... Lamento. Pequenas causas não me comovem. Emoção chinfrim não enche a barriga (nem o coração) de ninguém. Mas é igual pedrinha no caminho, pra tropeçar. Que se fosse um paralelepípedo, quem é que não enxergaria?
PS2: Leandro Henrique, uma vez divaguei sobre o caco de vidro esquecido atrás do sofá... lembra? Agora são pedrinhas, mentirinhas, bobeirinhas humanas. Ai! As pequenas coisas a me preocupar...
Adoro os romances com quatrocentas, quinhentas páginas, mas uma frase solta pode desnortear as minhas mais antigas convicções.
Não tenho medo das grandes verdades e são as pequenas mentiras que me apavoram, desprevenida.
E sofro tanto, quando percebo num altruísta aquele vestígio de mesquinhez... aquele egoísmo cego escondido entre as veias de um grande coração.
Ah, são elas. As pequenas. As minúsculas coisas que me preocupam.
Porque é fácil livrar-se de uma mariposa que ameaça pousar nos seus olhos. Mas aquele maldito cisco... é ele que vai nos fazer chorar.
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PS: ... Eu, com essa mania de grandeza, espero sempre que ao me magoar fulano(a) tenha um bom motivo. Um motivo enorme... daqueles dignos de sacrifícios e perdão.
Porém, se por trás do olhar dissimulado houver apenas um pequeno interesse, um desejozinho instantâneo, uma vaidadezinha bem pobre... Lamento. Pequenas causas não me comovem. Emoção chinfrim não enche a barriga (nem o coração) de ninguém. Mas é igual pedrinha no caminho, pra tropeçar. Que se fosse um paralelepípedo, quem é que não enxergaria?
PS2: Leandro Henrique, uma vez divaguei sobre o caco de vidro esquecido atrás do sofá... lembra? Agora são pedrinhas, mentirinhas, bobeirinhas humanas. Ai! As pequenas coisas a me preocupar...
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